terça-feira, 10 de abril de 2012

O Chantagista

No auge de seus 3 anos, com cabelos lisos e escuros, chuteira preta e uniforme do Colégio Marista, o menino caminha, chutando o chão, com a cabeça baixa e aquele ar inconformado de quem matuta a solução para um problema após vários esforços frustrados.

Ao observar a cena, é possível concluir que a moça de branco que o acompanha é a chave. O garoto se empenha na argumentação para conseguir demovê-la do intuito de denunciá-lo para a autoridade mais temida: a mãe. Ora nega, ora implora, mas não consegue fazê-la mudar de ideia.

Qual terá sido o crime?

A)Atravessar a rua correndo.
B)Puxar o cabelo do amiguinho na escola.
C)Responder mal a professora.
D)Falar palavrão.
E)NDA.

Não há como saber. Por certo, algo grave, pois ele usa todo o seu arsenal de despertamento da compaixão feminina (leia-se cara de coitado, voz embargada e olhos suplicantes). O problema é que nada funciona. Ela é linha dura.

Após alguns minutos, o réu infante se sente cada vez mais encurralado e está entrando em pânico quando, de súbito, seu rosto se ilumina. Em segundos, deixa toda a resignação de lado, infla o peito, levanta a cabeça imponente e grita convicto:

— Eu vou falar que você fez cocô na calça!

Ao que ouve:

— Pode falar o que você quiser!

A cabeça torna a baixar, os ombros são levados para frente, o olhar acompanha os pés que voltam a chutar o chão e ele segue, desolado.

quinta-feira, 22 de março de 2012

A formiga feliz

As formigas operárias caminham lenta e apressadamente (mais uma das contradições dessa vida) pelos longos corredores do formigueiro subterrâneo. Cabisbaixas, elas avistam uma formiga macho, loira e cabeluda, que se destaca. Munida de um papel sulfite posicionado ao lado do rosto, ela caminha tranquilamente com um olhar feliz. Difícil não reparar. Conforme se aproxima, as demais esticam os pescoços e espremem os olhos a fim de decifrar o que está escrito na tal folha. E então,“S-O-R”, olhares se iluminam, “R-I”, lábios e bochechas se movem, “A”, sorrisos tímidos nascem e abastecem o tanque de combustível para o dia.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Românticos

Um fim de tarde, no quarteirão que compreende 87 metros da Rua Conselheiro Pereira Pinto, em São Paulo. Foi neste cenário que o clichê romântico amor a primeira vista se tornou olhares, encantamentos, indecisões, expectativas e suspiros reais.

De calça preta tactel, camiseta branca, tênis, agasalho amarrado abaixo da cintura e mochila, caminhava com ar cansado, a cabeça levemente inclinada para o chão e os pensamentos variando entre as alunas preguiçosas que fazem charme durante a aula, a agenda do final de semana e a soneca de logo mais.

Do lado oposto, vestindo calça social preta reta, blusinha florida, scarpin preto, blazer e bolsa social, seguia a passos firmes, com olhos fitos no trajeto e os pensamentos variando entre cuidados de beleza e a grosseria peculiar do chefe, mas voltando sempre a necessidade física de chegar a casa.

Poucos segundos após ambos adentrarem o pequeno quarteirão, os olhares se cruzaram de maneira tão inesperada e espontânea que ignorar seria impossível. A expressão que se desenhou em seus rostos era de êxtase, combinado com vergonha e certo magnetismo. Já a de quem passava por perto era de empolgação, misturada com descrença e um pouquinho de inveja.


Continuaram andando no mesmo ritmo. A pequena platéia de três pessoas diminuiu o passo para discretamente observar com o coração cheio de expectativas, na torcida de presenciar uma cena digna de roteiro de cinema. O casal se aproximava rapidamente, apesar de o tempo se tornar meio confuso pra todos naqueles momentos. Mais perto. Ainda mais. Chegando. É agora. Os olhares se cruzaram, não se desgrudaram, mas simplesmente se perpassaram.

Os espectadores se dispersaram inconformados, porém havia uma otimista, que permaneceu a passos lentos e olhando sorrateiramente para trás na esperança de que algo mais acontecesse. E assim foi.

Eles não acreditavam em destino, muito menos em amores nascidos de encontros nada convencionais como aquele, mas algo os fazia querer novamente admirar um ao outro como quando se vê uma obra de arte que finalmente te faz entender o que é o belo. Assim, no mesmo instante, ambos se viraram. Se observaram minuciosamente, porém amedrontados com tamanha sintonia inexplicável, desistiram.

Se a vida foi generosa como nos filmes fofos, que povoam a imaginação do adolescente apaixonado dentro de nós, e lhes deu novas oportunidades, não se sabe.  Certo é que o casal de protagonistas, aquela expectadora persistente e também, no fundo, os que deixaram a platéia sem ver a conclusão da sequência se retiraram sentindo um leve aperto no peito e dizendo em silêncio um sincero amém.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O Sedutor

Revista BRAVO! - Janeiro/2012


Abraços coletivos no elenco, presentes de aniversário, elogios pelo Facebook. Em “O Palhaço”, seu segundo e bem-sucedido longa como diretor, Selton Mello agrada a equipe para garantir a harmonia no set
por Anna Rachel Ferreira e Nina Rahe




Em um pequeno auditório, no bairro carioca da Gávea, uma menina de cabelos longos e loiros está diante do ator e diretor Selton Mello. Depois de esperar por mais de uma hora ao lado de dezenas de outras crianças, Larissa Manoela segue as instruções do cineasta: pega uma espada e age como se fosse integrante de um circo, acostumada a esbarrar em palhaços e acrobatas. Um mês depois desse encontro, no dia de seu aniversário (28 de dezembro de 2009), a garota atende o telefone de casa, em São Paulo. Do outro lado da linha, Selton lhe daria um presente e tanto: a confirmação de que havia passado no teste para viver a pequena Guilhermina no filme O Palhaço. O longa-metragem estreou em outubro e já fez mais de 1,4 milhão de espectadores, tornando-se uma das surpresas cinematográficas de 2011.

O fato de a notícia chegar a Larissa pouco antes de começar a sua festa de 9 anos não foi uma coincidência. Selton esperou mesmo a data, uma atenção que pode ser interpretada como excessiva, mas não excepcional. O diretor manteve uma relação de intensa proximidade com cada ator de seu elenco. Eram trocas de presentes, elogios, cumplicidades, enfim, toda a sorte de delicadezas. Foi numa visita ao ator e amigo Paulo José, por exemplo, que a atriz Teuda Bara encontrou um pacote de cor parda, com o roteiro de O Palhaço. Junto ao texto, um bilhete: “Dona Zaíra foi escrita para você. Espero que goste. Beijos, Selton Mello”. Já o convite a Tonico Pereira, colega de longa data, começou com os seguintes dizeres: “Luís da Gama, 23 anos, estudante de engenharia. Tenho muito apreço por seu pai”. Tonico proferia as frases no filme Guerra de Canudos (1997), de que Selton também participou. Mais de dez anos depois, o cineasta ainda recorda a fala e a repete sempre que vê o amigo. “É uma brincadeira maravilhosa. Algo muito carinhoso da parte dele”, diz Tonico.

Tamanho cuidado com a equipe de O Palhaço revelou-se uma das marcas mais fortes de Selton na direção. Por meio de tais demonstrações de afeto, ele acabou criando relacionamentos que sobreviveram ao término das filmagens. Se alguns cineastas obtêm o controle com atitudes intimidadoras ou autoritárias, Selton prefere alcançá-lo por meio da sedução – estratégia que já se insinuava em Feliz Natal, seu primeiro longa, de 2008. “É mais fácil desrespeitar um diretor que vive dando esporro. O Selton te desarma e, se acontece alguma coisa de que ele não gosta, é só um olhar e acabou. Todo mundo respeita”, diz o ator Paulo Guarnieri, que trabalhou em Feliz Natal.

Para esta reportagem, BRAVO! conversou com 15 atores que já foram dirigidos por ele. Todos ainda mantêm contato frequente com o cineasta. No documentário Palhaço.Doc, de Marcelo Pontes, sobre o novo filme, Selton expõe o quanto se sente responsável pela atmosfera no set: “Dizem que o humor do palhaço dita o humor do circo. Eu acho que, da mesma forma, o humor do diretor dita o humor do filme”.

Mapa Astral

Desde a criação da página de O Palhaço no Facebook, Selton se encarrega pessoalmente de quase todas as postagens. Dos 184 posts publicados nos últimos três meses, 63 são reverências do diretor aos envolvidos no processo. Diariamente, ele se lembra de sua equipe, com escritos que vão de felicitações de aniversário a agradecimentos pela participação no longa. Selton compartilhou, por exemplo, um vídeo dos cantores Moacyr Franco e Nelson Ned de 1976 e escreveu: “Moacyr não canta no filme. Preferi assim. Ele já está soberbo no papel de delegado”. Quando O Palhaço atingiu 1 milhão de espectadores, um texto de comemoração seguia a mesma linha: “Fabiana Karla, queria que 1 milhão de pessoas soubessem que você antes de tudo é uma verdadeira atriz”.

“Muitos integrantes da equipe comentaram que sentiram algo inédito durante as filmagens. Parecia que a Vânia (Catani, produtora) e o Selton tinham contratado um astrólogo e consultado o mapa astral de cada um para saber se ia dar certo”, conta Álamo Facó, um dos irmãos Lorota, dupla de músicos do circo fictício Esperança. Para gravar uma das cenas mais delicadas do longa, na qual Benjamin – incorporado pelo próprio Selton – decide abandonar o circo, o diretor pediu que os atores fossem mais cedo para o set. Quando chegaram, tocava a música Ausência, cantada por Cesaria Evora. Selton os abraçou coletivamente e, partindo desse abraço, cada um contou histórias que julgavam importantes para sua vida. “Acho que o Selton queria que víssemos que não somos tão diferentes dos personagens de circo que interpretávamos”, relembra Álamo.

Em grande parte das entrevistas que concedeu sobre O Palhaço, Selton Mello mencionou a importância de Paulo José para a realização do trabalho (no filme, o veterano ator e diretor gaúcho vive o dono do circo, Valdemar). Sua contribuição pode ser entendida pelo que aconteceu justamente naquela sequência de despedida do personagem Benjamin. Embalado por Cesaria Evora, Selton estava bastante emocionado, e isso transpareceu em sua atuação. No dia seguinte, durante o café da manhã, Paulo lhe perguntou: “Quando você fez a cena, será que era aquilo mesmo?” Foi o suficiente para que Selton filmasse tudo novamente, de forma mais comedida. “O Paulo foi elegante... Ele tem também um olhar de diretor e, na hora, entendi que eu havia feito mais do que precisava”, diz o cineasta.

“Jamais falaria sobre isso”

Nem sempre, porém, essa atmosfera unânime de cumplicidade imperou na recente carreira de Selton como diretor. Um episódio polêmico envolveu Feliz Natal, seu primeiro longa. Em 2008, pouco antes do lançamento do filme, o ator Pedro Cardoso leu na abertura de uma sessão do Festival do Rio um manifesto contra a nudez no cinema e na televisão. Em seu discurso, disse ser “frequente que cineastas de primeiro filme exibam para seus amigos, em sessões privê, as cenas ousadas que conseguiram arrancar de determinada atriz”. E declarou que o fato de namorar uma intérprete acentuou sua preocupação, por ver a mulher que amava “ter de se defender diariamente no trabalho contra a pornografia reinante”. Sua namorada na época era Graziella Moretto (hoje os dois estão casados), atriz que fez sua primeira cena de nudez no filme de Selton. Em resposta, o diretor publicou no site do longa: “Feliz Natal foi concebido e realizado em um ambiente de harmonia, com todos os envolvidos trabalhando com respeito mútuo e delicadeza. Delicadeza é o sentimento que reinou antes, durante e mesmo depois das filmagens, com manifestações carinhosas trocadas entre toda a equipe e elenco”. Três anos depois desse acontecimento, o assunto ainda é um tabu. “Jamais falaria sobre isso”, diz o cineasta.

Para Selton, seu diferencial é ser um ator que dirige. “Já fui dirigido por gente atenciosa, meticulosa, sem paciência ou que me destratou. Sei como rendo melhor. Conheço as minhas limitações e também as de outros atores. Sei quem é absolutamente intuitivo, quem precisa de conversa, quem não gosta de ensaio. Existem vários tipos de atores e eu conheço esses tipos”, explica.

Outra marca de Selton é o costume de trabalhar com amigos. Em quase todos os seus projetos, pode-se encontrar na ficha técnica o roteirista Marcelo Vindicatto e os atores Álvaro Diniz, Oberdan Jr. e Hossen Minussi. Os quatro, Selton e mais alguns outros se conheceram com pouco menos de 20 anos, no fim da década de 1980, quando cursavam teatro no tradicional O Tablado, do Rio de Janeiro. Desde então, o diretor mantém as mesmas amizades e, sempre que pode, as leva para seus projetos. Isso já era evidente no programa Tarja Preta, dirigido e apresentado por ele no Canal Brasil, de 2004 a 2009, com um intervalo em 2008. Os colegas apareciam em diferentes quadros que entrecortavam as entrevistas.

Selton Mello já disse inúmeras vezes que sua escola de direção foi o Tarja Preta. A afirmação é justificada pelos cinco anos testando linguagens e pelas entrevistas com mais de 100 profissionais do cinema nacional: “Eu sempre brincava que, depois desse tempo, poderia participar de um quiz sobre a cinematografia brasileira”. O interesse pela direção, no entanto, pode ter surgido bem antes. Seus amigos contam que era comum vê-lo com uma filmadora, registrando improvisações e brincadeiras. Ainda na adolescência, chegou a dirigir um filme com Oberdan Jr. no elenco. “Selton era o nosso Glauber. Já perdi as contas de quantas vezes o vi com uma câmera nas mãos”, diz Vindicatto.

Foi também depois de uma das entrevistas realizadas no programa do Canal Brasil que Selton resolveu rodar seu primeiro curta-metragem, em 2006, chamado Quando o Tempo Cair. A história de um velho aposentado, que precisa arrumar emprego para sustentar a família e não consegue retornar ao mercado de trabalho, foi roteirizada após a declaração do ator e comediante Jorge Loredo de que não fazia mais cinema por não ser convidado – no curta, ele é o protagonista. O humorista tornou-se famoso ao criar o personagem Zé Bonitinho, que hoje está no elenco de A Praça É Nossa, no SBT. Em O Palhaço, Loredo interpreta o dono de uma loja de ventiladores. O ator, que também foi sondado para fazer Feliz Natal, mas na época não pôde participar por um problema de agenda, junta-se a muitos outros colegas que Selton está se habituando a garimpar – ora redescobrindo profissionais afastados do métier, ora dando papéis inesperados a atores que pareciam condenados a um único gênero, ora reafirmando parcerias antigas. Para o diretor, o resgate, além de uma homenagem a pessoas que admira, é um ato de resistência: “Quando o Loredo me diz que o maior fantasma para um ator não é a morte, mas a morte em vida, isso me comove. Eu posso ser ele daqui a 40 anos”.

O FILME
O Palhaço, de Selton Mello. Com Selton Mello, Paulo José, Teuda Bara, Álamo Facó, Tonico Pereira, Larissa Manoela. Em cartaz nos cinemas.

O rock escaldante da Garotas Suecas

Bravonline - Dezembro/2010

A banda paulistana, sucesso nos Estados Unidos, lança seu primeiro CD e conversa com BRAVO!
Por Anna Rachel Ferreira e Jeferson Peres





Com seis anos de estrada, três EPs, uma estatueta de Aposta MTV e quatro turnês nos Estados Unidos - que renderam elogios nos jornais The New York Times e The Washington Post, o grupo paulistano Garotas Suecas lança seu primeiro álbum, Escaldante Banda, com direito a turnê nacional.

Os meninos Guilherme Saldanha (vocal), Fernando "Perdido" Machado (baixo), Sérgio Sayeg (guitarra), Nico (bateria) e Tomaz Paoliello (guitarra) e a menina Irina Bertolucci (teclados), da Garotas Suecas, começaram tocando no Café Aprendiz, no bairro de Pinheiros, zona oeste de São Paulo. "O nome da banda é uma homenagem a um cantor gringo que conhecemos em Foz do Iguaçu, que compôs uma música para algumas garotas suecas que ele conheceu na cidade", explica Tomaz. E, assim, partiram para estrada.

De volta às origens, BRAVO! conversou com quatro dos seis membros do grupo. Entre piadas, palhinha e água mineral, Guilherme, Fernando, Sérgio e Tomaz falaram sobre o novo CD, o sucesso nos EUA e ainda fizeram um pedido ao Rei Roberto Carlos para participarem de seu especial de fim de ano.

BRAVO!: Como é o processo de composição das músicas da banda? Quais são as suas principais influências?

Tomaz Paoliello: É bem variado. A maioria das letras vem de uma conversa com a banda. A partir disso, as músicas se desenvolvem.

Sergio Sayeg: Nossas influências são a música americana dos anos 60 e 70 e o soul. E letras saem das nossas cabeças, não tem muito do que teorizar.

B!: O álbum sai agora, após seis anos de carreira. O que mudou no grupo durante este período?

TP: Eu acho que o Garotas Suecas de hoje é melhor do que quando começou. Nós tocamos melhor, entendemos melhor as ideias uns dos outros e temos mais maturidade para fazer escolhas. O disco saiu mais próximo do que queríamos dos nossos trabalhos anteriores. Hoje temos uma capacidade maior de traduzir nossas ideias.

Guilherme Saldanha: Soubemos incorporar toda a gama de influências que tínhamos no começo da banda, coisas do rock de garagem dos anos 70. Crescemos e aprendemos, adquirimos um bom gosto, aprendendo a comer espinafre. Acho que este álbum reflete um pouco esta nossa trajetória.

B!: Vocês fizeram vários shows em outros países e começarão a se apresentar no Brasil. O que esperam desta turnê nacional?

TP: A grande diferença entre o público daqui e o de lá é que os brasileiros entendem o que nós estamos falando. Nos Estados Unidos, as letras em português nos limitava. Este disco foi feito especialmente para os brasileiros e o que queremos é tocar muito por aqui.

B!: Vocês permitem que os fãs baixem o álbum de vocês no site da banda. Qual a relação de vocês com a internet?

SS: Desde que a banda começou, nós sempre usamos a internet para divulgar o nosso trabalho. Achamos que é muito bom ter este tipo de relação aberta com a música gravada. Assim as pessoas quase não têm desculpa para não ouvir o som.

B!: Qual é o próximo passo da Garotas Suecas depois deste álbum?

GS: O próximo passo é divulgar o disco pelo Brasil. Nós ainda não tocamos fora de São Paulo.

TP: Estamos preparando clipes novos para continuar a divulgação. Queremos viajar tocando este show que está muito bom. É o melhor que conseguimos fazer até agora e espero que ainda melhore.

GS: E o nosso grande projeto que é participar do especial do Roberto Carlos vai ficar para o ano que vem. Já estamos em dezembro e ele já deve ter gravado. Roberto, chame a gente!

Para terminar, a banda deu uma palhinha exclusiva de uma de suas melhores músicas, Banho de Bucha, que, segundo eles, adianta o espírito do verão. O disco Escaldante Banda já está à venda e pode ser baixado gratuitamente no site da banda.

Garotas Suecas cantam Banho de Bucha

''O Despertar da Primavera'' em São Paulo

Bravonline - Abril/2010

Musical com elenco de 16 a 26 anos retrata as descobertas da adolescência
por Anna Rachel Ferreira



Após 6 meses de sucesso no Rio de Janeiro, é a vez de os paulistanos assistirem ao novo feito dos produtores Charles Möeller e Cláudio Botelho, o musical "O Despertar da Primavera", em curta temporada no Teatro Sérgio Cardoso.

O espetáculo, baseado na peça original do alemão Frank Wedekin, de 1891, trata das dúvidas e descobertas de um grupo de adolescentes da Alemanha no final do século XIX. O tempo que separa o enredo dos dias atuais, contudo, não torna a história ultrapassada. "Os anos passaram, mas o homem se mantém oprimido, especialmente diante da família, da igreja e do Estado", explica Mueller.

A montagem brasileira é a primeira non-réplica do espetáculo, o que significa que a dupla teve autonomia autoral para trabalhar. A única exigência foi que os atores tivessem idade próxima à dos personagens que interpretam. Foi assim que Pierre Baitelli, 25 anos, Malu Rodrigues, 16 anos e Rodrigo Pandolfo, 25 anos, e Letícia Colin, 20 anos, conquistaram seus papéis em "O Despertar..."

A exigência acabou sendo útil. Em algumas cenas, as emoções vieram de trabalhos anteriores do elenco, como no caso de Letícia. "Já fiz dois trabalhos com essa temática. O nojo e a raiva necessários para a cena do abuso sofrido por Ilse já estavam no meu HD", conta. Em outras passagens da peça, a inspiração vem da vida pessoal de cada um. "Como estou na idade da personagem, recorro à minha própria experiência para interpretar a Wendla", explica Malu, protagonista da trama.

Mas a identificação não diminui a dificuldade e a carga emocional exigida pelo enredo, que também discute o suicídio. Aliás, é essa a cena considerada por Pandolfo a mais importante e uma das mais difíceis de Moritz Stiefel, seu personagem. "É uma cena que me rasga por dentro", conta o ator. Finalista pela segunda vez ao Prêmio Shell de Melhor Ator pela temporada carioca da peça, ele é responsável por risos e choros da platéia durante o espetáculo.

Um dos momentos cômicos é o que ele divide com seu colega de faculdade e, na peça, melhor amigo, Pierre Baitelli, intérprete de Melchior Gabor. Nessa sequência, Moritz chega atabalhoado à casa de Melchior, pois passou a noite lendo um manuscrito que descreve uma relação sexual. A proximidade fora dos palcos facilitou a desenvoltura em cena. "O jogo entre nós é muito legal, e a gente se dá liberdade para experimentar coisas diferentes a cada dia", comenta Baitelli.

Veja trechos do espetáculo:



O Despertar da Primavera
Até 2/5
Teatro Sérgio Cardoso Rua Rui Barbosa, 153 - Bela Vista - São Paulo/SP
Tel: 0/XX/11/3288-0136
Quintas e sábados às 21h, sextas às 21h30 e domingos às 18h.
Ingressos de R$25 a R$60.

Grafite nas Ruas e no Museu

Bravonline - Setembro/2010

1ª Bienal Internacional Graffiti Fine Art é aberta na próxima sexta-feira, 3 de setembro, no MuBE, em São Paulo
por Anna Rachel Ferreira





Montar uma exposição de grafite é assim: são necessários sacos de lixo ou jornais para forrar o chão, escadas para alcançar as partes mais altas dos painéis, tinta, pincéis e sprays. Com esses ingredientes nasceu a Primeira Bienal Internacional Graffiti Fine Art que acontece a partir da próxima sexta-feira, 3 de setembro, no Museu Brasileiro da Escultura - MuBE -, em São Paulo.

Desde a noite de 25 de agosto, 66 artistas de 13 países diferentes pintam em painéis individuais e em grupo, fazem intervenções e moldam esculturas que ficarão expostas durante os 31 dias de Bienal. Cada um com seu estilo e metodologia própria, eles transformam o cinza do concreto.

O argentino Jaz recorta cenas de briga de torcidas em um estádio de futebol e faz uma releitura geométrica. A carioca Anarkia usa cores de tom avermelhado para falar da mulher que luta pela democracia sexual. O espanhol Belin pinta os colegas que participam do evento. O americano conhecido como Dinossauro do grafite, John Howard, investe no colorido com o spray. Já o paulistano Ethos prefere observar o trabalho dos demais enquanto pensa no que fará.

A iniciativa de levar essa forma de expressão das ruas para dentro do museu foi da Diretora de Relacionamento Internacional do MuBE, Renata de Azevedo, que junto com o curador e grafiteiro Binho Ribeiro já promoveu, desde março de 2009, seis exposições sob o título "Graffiti Fine Art". Foi a experiência adquirida nesse um ano e meio que abriu caminho para que fosse feito o primeiro evento dessa proporção dedicado ao grafite em São Paulo.

Porém, a característica mais marcante do movimento iniciado em Nova Iorque no final dos anos 60 é justamente a de estar nas ruas. "O grafite é o acabamento que a cidade precisa", brinca Howard. Em vista disso, estão previstas intervenções em estações de trem da CPTM e em empenas cegas de dois prédios da capital paulista. "A ideia é estar nos dois mundos ao mesmo tempo", explica o diretor de arte da exposição, André Luís Carvalho.

E estar nos dois mundos significa também atingir a um público diverso, em que nem todos conhecem as peculiaridades desta arte urbana. Para atender a esta demanda serão promovidos debates, como "Graffiti e Arte" e "Graffiti e Social" e um ciclo de filmes sobre o tema, dentre eles "Graffiti - Jogo de Ideias", do Itaú Cultural, durante o evento.

1ª Bienal Internacional Graffiti Fine Art
De 3/9 a 3/10
De terça-feira a domingo, das 10h às 19h
Museu Brasileiro da Escultura
Avenida Europa, 218- Jd. Europa - São Paulo/SP
Tel: 0/XX/11/2594-2601
Entrada Franca